Ayvu Rapyta - Palavra Habitada
Somos um grupo de contadores de histórias
que tem como fio condutor as narrativas contadas e costuradas na roca do tempo das culturas.
Buscamos no prazer das leituras, habitar com sonho e magia no coração das pessoas.
www.ayvurapyta@gmail.com e também no facebook

quarta-feira, 1 de maio de 2013

MAIS EMOÇÕES DO DIA 29 DE ABRIL NA XVII FEIRA PAN-AMAZÔNICA DO LIVRO:


UM ENCONTRO MÁGICO COM A AUTORA E CONTADORA DE HISTÓRIAS (LINDA!)
CLÉO BUSATTO:




AYVU RAPYTA NA FEIRA DO LIVRO 2013 (29/04)

A palavra se fez habitar mais uma vez neste grande evento que é a Feira Pan- Amazônica do Livro em sua XVII edição e foi um momento muito gratificante, platéia lotada e participativa que ouviu algumas das histórias que sabemos... e como sabemos! Abaixo o registro de alguns momentos:

ANTES:



DURANTE:








 E DEPOIS:






sábado, 6 de abril de 2013

Nós acreditamos, acredite também....




O manifesto do Contador de histórias


O contador de histórias cria imagens no ar materializando o verbo e transformando-se ele próprio nesta matéria fluída que é a palavra.
O contador de histórias empresta seu corpo, sua voz e seus afetos ao texto que ele narra, e o texto deixa de ser signo para se tornar significado.
O contador de histórias nos faz sonhar por que ele consegue parar o tempo nos apresentando um outro tempo.
O contador de histórias, como um mágico, faz aparecer o inexistente, e nos convence que aquilo existe.
O contador de histórias atua muito próximo da essência, e essência vem a ser tudo aquilo que não se aprende, aquilo que é por si só.
Contar histórias é uma arte, uma arte rara, pois sua matéria-prima é o imaterial, e o contador de histórias um artista que tece os fios invisíveis desta teia que é o contar.
A arte de contar histórias traz o contorno, a forma. Ritualiza a memória e nos conecta com algo que se perdeu nas brumas do tempo.
A arte de contar histórias nos liga ao indizível e traz resposta às nossas inquietações.
Contar histórias é uma arte por que traz significações ao propor um diálogo entre as diferentes dimensões do ser.
Contar histórias expressa e corporifica o simbólico, tornando-se a mais pura expressão do ser.

                                                                                            Cléo Busatto (Livro Contar e Encantar)

E essa, é mais uma das histórias que sabemos... e como sabemos!



O cego e o caçador

"Era uma vez um homem cego que morava numa palhoça, com sua irmã, numa aldeia na orla da Floresta. Esse homem era muito inteligente. Apesar de seus olhos não enxergarem nada, ele parecia saber mais sobre o mundo do que as pessoas cujos olhos viam tudo.
Costumava sentar-se à porta de sua palhoça e conversar com quem passava. Quando alguém tinha problemas, perguntava-lhe o que fazer e ele sempre dava um bom conselho.
Quando alguém queria saber alguma coisa, ele dizia, e suas respostas eram sempre corretas. As pessoas balançavam a cabeça, admiradas:
- Como é que você consegue saber tanta coisa, sem enxergar? E o cego sorria, dizendo:
- É que eu enxergo com os ouvidos.
Bem, um dia a irmã do cego se apaixonou. Ela se apaixonou por um caçador de outra aldeia. E logo o caçador se casou com a irmã do cego.
Depois da festa de casamento, o caçador foi morar na palhoça, com a esposa. Mas o caçador não tinha paciência com o irmão da mulher, não tinha nenhuma paciência com o cego.
- Para que serve um homem cego? - ele dizia. E a mulher respondia:
- Ora, marido, ele sabe mais coisas do mundo do que as pessoas que enxergam. O caçador ria:
- Ha, ha, ha, o que pode saber um cego, que vive na escuridão? Ha, ha, ha...
Todos os dias, o caçador ia para a floresta com seus alçapões, lanças e flechas. E todas as tardes, quando o caçador voltava à aldeia, o cego dizia:
- Por favor, amanhã deixe-me ir com você caçar na floresta.
Mas o caçador balançava a cabeça:
- Para que serve um homem cego? Dias, semanas e meses se passavam, e todas as tardes o homem cego pedia:
- Por favor, amanhã deixe-me caçar também. E todas as tardes o caçador dizia que não. Uma tarde, porém, o caçador chegou de bom humor. Tinha trazido para casa uma bela caça, uma gazela bem gorda.
Sua mulher temperou e assou a carne e, quando eles acabaram de comer, o caçador disse ao homem cego:
- Pois bem, amanhã você vai caçar comigo.
Assim, na manhã seguinte os dois foram juntos para a floresta, o caçador carregando seus alçapões, lanças e flechas, e conduzindo o cego pela mão, por entre as árvores. Andaram horas e horas.
Então, de repente, o cego parou e puxou a mão do caçador:
- Psss, um leão!
O caçador olhou ao redor e não viu nada.
- É um leão, sim, mas está tudo bem. Ele não está faminto e está dormindo profundamente. Não vai nos fazer mal.
Continuaram seu caminho e, de fato, encontraram um leão dormindo a sono solto, debaixo de uma árvore.
Depois que passaram pelo animal, o caçador perguntou:
- Como você sabia do leão?
- É que eu enxergo com os ouvidos.
Andaram por mais quatro horas, e então o cego puxou de novo a mão do caçador:
- Psss, um elefante!
O caçador olhou ao redor e não viu nada.
- É um elefante, sim, mas tudo bem. Ele está dentro de uma poça d'água e não vai nos fazer mal.
Continuaram seu caminho e, de fato, encontraram um elefante imenso, chapinhando numa poça d'água, esguichando lama nas próprias costas.
Depois que passaram pelo animal, o caçador perguntou:
- Como você sabia do elefante?
- É que eu enxergo com os ouvidos.
Continuaram seu caminho, se aprofundando cada vez mais na floresta, até chegarem a uma clareira. O caçador disse:
- Vamos deixar nossos alçapões aqui.
O caçador armou um alçapão e ensinou o cego a armar o outro. Quando os dois alçapões estavam armados, o caçador disse:
- Amanhã vamos voltar para ver o que pegamos. E os dois voltaram juntos para a aldeia. Na manhã seguinte, acordaram cedo. Mais uma vez, foram andando pela floresta. O caçador se ofereceu para segurar a mão do cego, mas o cego disse:
- Não, agora já conheço o caminho.
Dessa vez, o homem cego foi andando na frente. Não tropeçou em nenhuma raiz nem toco de árvore. Não errou o caminho nem uma vez.
Andaram, andaram, até chegarem à clareira em que tinham armado os alçapões.
De longe, o caçador viu que havia um pássaro preso em cada alçapão. De longe, viu que o pássaro preso em seu alçapão era pequeno e cinzento e que o pássaro preso no alçapão do cego era lindo, com penas verdes, vermelhas e douradas.
- Sente-se ali - ele disse. - Cada um de nós apanhou um pássaro. Vou tirá-los dos alçapões.
O cego sentou-se e o caçador foi até os alçapões, pensando: - Um homem que não enxerga nunca vai perceber a diferença.
E o que foi que ele fez? Deu ao cego o pequeno pássaro cinzento e ficou com o lindo pássaro de penas verdes, vermelhas e douradas.
O cego pegou o pássaro cinzento nas mãos, levantou-se e os dois rumaram de volta para casa. Andaram, andaram, e a certa altura o caçador disse:
- Já que você é tão inteligente e enxerga com os ouvidos, responda uma coisa: - Por que há tanta desavença, ódio e guerra neste mundo?
O cego respondeu:
- Porque este mundo está cheio de gente como você, que pega o que não é seu. O caçador se encheu de vergonha. Pegou o pássaro cinzento da mão do cego e deu-lhe o pássaro lindo, de penas verdes, vermelhas e douradas.
- Desculpe - ele disse.
Os dois continuaram andando, e a certa altura o caçador disse: - Já que você é tão inteligente e enxerga com os ouvidos, responda outra coisa:
- Por que há tanto amor, bondade e conciliação neste mundo?
O cego respondeu:
- Porque este mundo está cheio de gente como você, que aprende com seus próprios erros.
Os dois continuaram andando, até chegarem à aldeia.
E, a partir daquele dia, quando alguém perguntava ao cego:
- Como é que você consegue saber tanta coisa, sem enxergar? Era o caçador que respondia:
- É que ele enxerga com os ouvidos... E ouve com o coração."
Hugh Lupton
Extraído do livro "Histórias de Sabedoria e Encantamento"

domingo, 22 de abril de 2012

AYVU RAPYTA NO CESEP

Na segunda-feira, dia 16 de abril, teve histórias rolando manhã inteira, pois o Ayvu Rapyta esteve participando da abertura da Semana da Biblioteca do Colégio Cesep.






Representando o grupo estiveram Ana Lídia, Paulo, Ana Selma, Eny e Ronaldo e as histórias recontadas mostraram mais uma vez que não têm fim e nunca teraõ!





Obrigada Rita Lima pelo convite e valeu Ayvu!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Semana Pedagógica no CEE


Ontem, 9 de abril, participamos com muito prazer da abertura da Semana Pedagógica no CEE - Centro de Estudos de Educação de Jovens e Adultos que fica na Av. Gentil Bittencourt. Foi com satisfação que convidamos os professores a brincar com a literatura através da Bola Literária e da escuta de histórias e poemas.

141 anos da Biblioteca Arthur Vianna


Os contadores estiveram também no aniversário dessa senhora, guardadora e divulgadora de livros, que há 141 anos abre suas portas para todas as pessoas. Foi um prazer imenso participar desta comemoração e deixar que as palavras nos guiassem pelos espaços do CENTUR e pudessem ficar com carinho na memória dos ouvintes e leitores que passaram por lá.

domingo, 18 de março de 2012

Muito obrigado!
“Nós, do Grupo de Contadores de Histórias Ayvu Rapyta, agradecemos grandemente por
sua participaçãoespecial na programação da II Comemoração do Dia Internacional dos Contadores de Histórias.
Obrigado por você acreditar neste encontro como uma celebração à palavra contada, por acreditar no sopro de vida que a palavra narrada traz consigo.
Obrigado, por crer que pessoas apaixonadas pela palavra podem fazer outros se apaixonarem
e assim este amor transbordará em mais e mais momentos em que o contar será a mágica que nos moverá.
Obrigado, por compor este movimento mundial de contar histórias para melhorar o mundo!
Que a palavra permaneça habitada em nossos corações, sempre!

Até o ano que vem!
Grupo de Contadores de Histórias Ayvu Rapyta
Belém, 18 de março de 2012

domingo, 11 de março de 2012

CONVITE


CONVITE


O Grupo de Contadores de Histórias AYVU RAPYTA
realizará no Domingo, dia 18 de março de 9:00h às 12:00h no Bosque Rodrigues
Alves (Ruínas do Castelo) para um deleite literário em comemoração ao Dia
Internacional do Contador de Histórias.

"Eles escrevem em livros, nós estamos
escrevendo em almas" Provérbio africano. Então, venham e deixem a palavra habitar em
suas almas.



Ayvu Rapyta – Termo indígena que significa “alma, ser, som habitado, palavra habitada”.

Somos um grupo de contadores de histórias que tem como
fio condutor as narrativas contadas e costuradas na roca do tempo, das
culturas. Buscamos no prazer das leituras, habitar com sonho e magia no coração
das pessoas.

”GENTE DAS MARAVILHAS”:
Adrine Motley
Ana Lídia
Ana Selma
Cunha
Ednei Dias
Eny Souza
Gilvanete
Situba
Joana Martins
Maiolina Neves
Paulo Pomares
Ronaldo Alex
Sônia Situba
Tatiana Vasconcelos





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Encontros para não ter desencontros


As reuniões para montar roteiros de apresentações, ensaios, quem está disponível ou não para os eventos culturais vem acontecendo de forma intensiva para nós da Família Ayvu Rapyta. Alguns membros estão presente em todas, uns chegam e não podem demorar, outros chegam pra nunca mais voltar, são tantos encontros e despedidas pra que tudo dê certo. Até parece a música do Milton:

"Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega prá ficar
Tem gente que vai
Pra nunca mais..."

Mas como nós temos nossas particularidades, sempre retornamos pra família de origem, ou seja, pro marido, esposa, filhos, mãe, pai, manas...Depois de tudo pronto e organizado só teremos que reunir as famílias para uma grande roda de histórias.
É divertido e delicioso cada momento que passamos juntos. Viva a Vida! Viva a Literatura!