Ayvu Rapyta - Palavra Habitada
Somos um grupo de contadores de histórias
que tem como fio condutor as narrativas contadas e costuradas na roca do tempo das culturas.
Buscamos no prazer das leituras, habitar com sonho e magia no coração das pessoas.
www.ayvurapyta@gmail.com e também no facebook

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O primeiro ano de Ayvu rapyta

Uma ligação no mês de fevereiro de 2008 deu novos rumos a minha vida. Este ano que se encerra iniciou meio que incerto, um novo ciclo começava, e o que podemos esperar disso? Novidades! Devo confessar que sempre relutei a mudanças, às vezes pareço um velho antiquado disfarçado de jovem. Com as mudanças em minha vida me fechei em mim mesmo, e de certa forma isso foi bom, pois me encontrei com o meu eu, e assim pude identificar de uma forma menos dolorosa e difícil, minhas limitações, minhas potencialidades e necessidades. Pronto aí estava à chave para saber lidar com o novo.
Fazia muito tempo que a contação de histórias estava de lado em minha vida, como um brinquedo que largamos no canto do quarto, ou porque não gostamos ou por necessidade, na verdade, prioridades, que se refletirmos bem, nem são tão prioridades assim... O tempo, este bendito tempo fez com que eu deixasse a literatura da voz de lado. E então logo vi que essa era uma das minhas principais necessidades, uma necessidade da alma. E então aquela ligação de Andréa Cozzi, me convidando para um encontro de educadores e contadores no bosque, mudou tudo. Que felicidade, nunca vou me esquecer daquele dia chuvoso, típico da nossa terrinha abençoada. Lá estava para se iniciar uma nova história, que mudou a minha vida. Lá educadores da rede municipal de ensino se reuniram para levar a contação a suas escolas e fazer disseminar a literatura da voz e todas as suas possibilidades.
E aí foi indo e indo... Nasce o Ayvu rapyta por entre os sábados ensolarados e chuvosos do bosque, tornando aquele local ainda mais bonito e especial.
Fazer parte desse grupo, dessa história, é um prazer para mim. Sinto-me muito feliz a cada reunião, a cada apresentação; ao ver os olhinhos das crianças brilhando com os contos de fada, mordendo os lábios de medo com as histórias saídas das linhas do Walcir, sorrisos tímidos aparecendo após a declamação de poemas. Tudo é tão encantador; momentos que alimentam a nossa alma e que nada paga. Um trabalho que nos dá forças para levar a vida nesse “mundo grave” que anseia por poesia.
Neste fim de ano só tenho a agradecer pelo nascimento do grupo de contadores de histórias Ayvu Rapyta, a todos os integrantes que ajudaram a construir essa história, a todos que nos apoiaram e nos apóiam a todos que visitam nosso blog e compartilham conosco desse amor pela arte, pela palavra falada, habitada em cada um de nós. Que em 2009 esse amor só faça crescer, transbordar e habitar em mais e mais corações!!!

Rodrigo Grilo.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Dando mais um ponto...

ÁFRICA

África dos tambores
Das dores e das cores
África da savana, do deserto e da floresta

África, que força é esta?

Estás em todo lugar.
Em meu paladar, falar e meu cantar.

Estás dentro e fora de nós
Estás nos nós que precisamos desatar

África, que força é esta?

Será que tua força vem do maracatu ou do caruru?
Da Guiné, Egito ou Senegal?
Vem do que é novo ou do que na memória se planta?

África, que força é esta?
Ana Selma - integrante do Ayvu rapyta

domingo, 9 de novembro de 2008

Fotos do Ayvu rapyta

Após a reunião do dia 01.11 fizemos um ensaio fotográfico com a cara do grupo, cheio de risos, alegrias, fantasias... Confiram um pouco de nós :)














Roda de histórias na escola Helder Fialho Dias

Na noite da floresta de mangueiras do país das lendas, com a lua iluminando a estrada, o Gato Preto, em sua bicicleta de quatro marchas, cruzou o caminho em frente ao Cemitério, virou a esquerda e viu com seus olhinhos azuis, seu primo o Negro gato, em cima do telhado de um velho sobrado, que já na pele de sua terceira vida miava por um bom prato.
Matinta Perera, aquela que gostava de luxar, luxar e luxar voava por perto e escutou o miado faminto de arrepiar e resolveu ajudar, mesmo apressada que estava para ouvir “Visagem”, seu programa favorito de rádio. Pegou o celular e mandou um torpedo estridente fitttttttt... Convocando urgente as amigas que fazem parte da comunidade no Orkut: “Eu sou louca por gato preto”. Convocou a Bruxa Sorumbática e a velha Leanam, que naquele exato momento estavam no hall de um hotel Cinco Estrelas que fica na rua do túnel das mangueiras, com um grupo de senhoras da terceira idade, que fumavam charuto cubano e jogavam uma rodada de bole-bole, aquele tal Brinquedo visagento. Maty, é como os mais chegados chamam a Matinta, propôs que voassem até a casa do difamado Bicho Papão, aquele bom camarada que não gosta de comer criancinha (e na verdade nunca gostou), para que preparassem no caldeirão de teflon francês, a Receita de Esperteza que ele trouxe da sua última visita à bruxa Anaile Agirrab, sua professora de poemas bordados em assas de morcegos cibernéticos, e que mora atualmente em um planeta próximo à Plutão, e depois fossem levar um prato bem quentinho e cheinho e gostosinho para o Negro gato que continuava a miar no telhado do velho sobrado, para a lua que iluminava a estrada, na noite da floresta de mangueiras do país das lendas.
Valeu Maty ! Valeu! Essa tua boa ação vai pro blog do Ayvu Rapyta!
As crianças da escola “Helder Fialho Dias” ficaram encantadas (comprovem nas fotos) com tudo que aconteceu por lá nesse dia 30 de outubro. Foram Histórias de Bruxas, Matintas e visagens que começaram pela manhã e só terminaram de tardinha com o sol se pondo no horizonte.
Tudo isso aconteceu lá pelas bandas da Ilha de Caratateua, mais conhecida como Outeiro, nas três rodadas de história que fizemos e refizemos. Foi um desses dias em que sentimos que contar histórias, acima de tudo, é um ato de amor.

Valeu Joana! A bruxa Sorumbática criou vida com você.
Valeu Regina! O Bicho Papão e o Cemitério encantaram e alegraram as crianças.
Valeu Vânia! O Brinquedo visagento realmente é de estalar e arrepiar...
Valeu Paulo! Matintaperera e o gatinho de olho azul tem teu charme.
E valeu eu também! Com um Luxo de Matinta, Gato Preto e Negro Gato...miauuuu
Sigamos a diante! Afinando esse corpo que habita nossa voz celestial.
Beijos de luz para todos!


Cléa Palha
Outubro de 2008

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Contador de histórias : Caminhos e encantos vivenciais

“Há muito, muito tempo atrás lá em Capanema (Pa), um padre contou que apareceu 4 luas no céu , e era dia! o céu ficou escuro, e o dia virou noite”..... (Raimunda Souza).
Raimunda Souza era minha avó, e quando ela contou essa história provavelmente tinha 7 anos, pois lembro bem, que senti um medo danado! e isso me motivou para seguir seus passos como contadora. A sensação de escutar as histórias de terror que ela contava tocou meu coração. E hoje sigo a trilha do contar e ouvir o encantado universo das histórias.
Minha avó trilhou pelo rico caminho da oralidade, viveu a época das fogueiras onde a noite era o grande palco das emoções de contar e encantar a todos e todas pela força da palavra que percorria o tempo vivencial conectado com a imaginação liberando as sensações presentes no coração.
Ah! a tradição oral ! tão preenchida de encantamentos! Sigo o caminho de minha avó, sou apaixonada pela tradição, e levo a magia e sua potencialidade contando aqui e ali seus saberes.
Descobri nos livros uma outra fonte o da palavra escrita, a história criada por autores que nos emocionam e nos acendem como contadores para contar e soltar ao vento a musicalidade das palavras as quais irão liberar a imaginação permitindo um encontro sintonizado com o coração e assim fluir o efeito do alimento alma que nos preenche ao ouvir a sonoridade das histórias contadas.
Mergulho no rio das histórias e a cada mergulho percebo a vontade do outra vez e quando saio desse estado sinto-me feliz de ser contadora e contribuir com a vitalidade dessa arte que atravessou as fronteiras do tempo e desembocou até os nossos dias para alegrar nossas vidas.
Eh, psiu! Pare um pouco e escute a Menomési (Deusa da memória) ela está soprando e dizendo, vá! Conte histórias você também , mas não esqueça abra o coração e os ouvidos para escutar o vento que trás as palavras pulsando para penetrar em seu ser e lhe alimentar de prazer.
Me despeço, agradecendo a todos e todas que mergulharam comigo nesse momento tão precioso e sagrado das memórias de uma contadora que como outros contadores conta e encanta a vida com histórias.

Maiolina Neves

RECEITA DE ESPERTEZA

Queridos,
o dia das bruxas já passou, mas você pode a qualquer momento encontrar uma pelas esquinas... Então, aí vai uma receita supinpa:

Vou lhe dar uma receita de esperteza.
Anote, corra,vamos, pegue o papel,
Uma caneta, um lápis, qualquer coisa,
Escreve com o dedo...


Tome nota:
Pegue um canto de unha de cotia,
Uma casquinha da maçã do rosto,
Uma folha da planta do pé,
(com chulé ou sem chulé, tudo presta)
Um pedaço do traço da linha da vida,
Um dente de alho escovado
com creme dental do bom hein!)
Pó de dente de galinha ruiva,
Casca de batata da perna,
(pode ser da direita ou da esquerda)
Cabelo de sovaco de minhoca,
Pingos de suor do romeiro do Círio,
O ultimo fio de cabelo torrado da trança de um careca solitário,
Suspiros de arraia,
E por último um chulé de soldado.
Agora misture tudo, Mexa bem.
E beba abestado... Há, há, há, há,...

Heliana Barriga

(escritora paraense)

sábado, 25 de outubro de 2008

Um pouco de poesia...




AS DUAS FLORES

São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo,no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.


Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.


Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.


Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

Castro Alves

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Menina bonita do laço de fita - Ana Maria Machado

Era uma vez uma menina linda, linda.Os olhos pareciam duas azeitonas pretas brilhantes, os cabelos enroladinhos e bem negros.Apele era escura e lustrosa, que nem o pelo da pantera negra na chuva.Ainda por cima, a mãe gostava de fazer trancinhas no cabelo dela e enfeitar com laços de fita coloridas. Ela ficava parecendo uma princesa das terras da áfrica, ou uma fada do Reino do Luar.E, havia um coelho bem branquinho, com olhos vermelhos e focinho nervoso sempre tremelicando. O coelho achava a menina a pessoa mais linda que ele tinha visto na vida.E pensava:- Ah, quando eu casar quero ter uma filha pretinha e linda que nem ela...Por isso, um dia ele foi até a casa da menina e perguntou:- Menina bonita do laço de fita, qual é o teu segredo para ser tão pretinha?A menina não sabia, mas inventou:­- Ah deve ser porque eu caí na tinta preta quando era pequenina...O coelho saiu dali, procurou uma lata de tinta preta e tomou banho nela. Ficou bem negro, todo contente. Mas aí veio uma chuva e lavou todo aquele pretume, ele ficou branco outra vez.Então ele voltou lá na casa da menina e perguntou outra vez:- Menina bonita do laço de fita, qual é o seu segredo para ser tão pretinha?A menina não sabia, mas inventou:- Ah, deve ser porque eu tomei muito café quando era pequenina.O coelho saiu dali e tomou tanto café que perdeu o sono e passou a noite toda fazendo xixi. Mas não ficou nada preto.- Menina bonita do laço de fita, qual o teu segredo para ser tão pretinha?A menina não sabia, mas inventou:­- Ah, deve ser porque eu comi muita jabuticaba quando era pequenina.O coelho saiu dali e se empanturrou de jabuticaba até ficar pesadão, sem conseguir sair do lugar. O máximo que conseguiu foi fazer muito cocozinho preto e redondo feito jabuticaba. Mas não ficou nada preto.Então ele voltou lá na casa da menina e perguntou outra vez:- Menina bonita do laço de fita, qual é teu segredo pra ser tão pretinha?A menina não sabia e... Já ia inventando outra coisa, uma história de feijoada, quando a mãe dela que era uma mulata linda e risonha, resolveu se meter e disse:- Artes de uma avó preta que ela tinha...Aí o coelho, que era bobinho, mas nem tanto, viu que a mãe da menina devia estar mesmo dizendo a verdade, porque a gente se parece sempre é com os pais, os tios, os avós e até com os parentes tortos.E se ele queria ter uma filha pretinha e linda que nem a menina, tinha era que procurar uma coelha preta para casar.Não precisou procurar muito. Logo encontrou uma coelhinha escura como a noite, que achava aquele coelho branco uma graça.Foram namorando, casando e tiveram uma ninhada de filhotes, que coelho quando desanda a ter filhote não para mais! Tinha coelhos de todas as cores: branco, branco malhado de preto, preto malhado de branco e até uma coelha bem pretinha. Já se sabe, afilhada da tal menina bonita que morava na casa ao lado.E quando a coelhinha saía de laço colorido no pescoço sempre encontrava alguém que perguntava:- Coelha bonita do laço de fita, qual é o teu segredo para ser tão pretinha?E ela respondia:
- Conselhos da mãe da minha madrinha...

Visita da poeta Rita Melém

No dia 4 de outubro de 2008 o grupo Ayvu Rapyta teve a honra de receber a poeta Rita Melém. Foi uma experiência maravilhosa, Rita nos relatou a sua trajetória de poeta, levou uma pilha de livros dos autores que mais admira e que, de alguma maneira, a influenciaram. Contou do seu trabalho como professora e como já formou poetas mirins. O estilo adotado por Rita se chama Hai Kai, é uma forma poética de origem japonesa e significa a arte de dizer o máximo com o mínimo, são poemas curtos, mas profundos. Rita mostrou a diferença entre poema e poesia, os vários formatos de poemas, falou do seu livro “PORTAPALAVRAS” lançado recentemente na XII Feira Panamazônica do Livro e do trabalho de seus colegas, escritores do grupo Extremo Norte. O entusiasmo de Rita nos encantou e passamos a maior parte do tempo só ouvindo sua “palestra” recheada de poemas escolhidos a dedo. Mostrou-nos a beleza do ser mulher, com todos os tipos de sentimentos. Rita é a poesia em pessoa, fala calma, olhar sincero e sorriso cativante. Ao final presenteou-nos com seus poemas, que foram declamados por todos os contadores presentes, em um verdadeiro sarau. As indicações de Rita nos contagiou e muitos de nós queremos ler os poetas que ela apresentou. Ficamos felizes com sua visita e desejamos um próximo encontro. Ainda temos muito que aprender e a poeta ainda tem muito a nos dizer. Foram tantos poemas declamados naquela manhã que nem notamos o tempo passar, poemas tristes, alegres, longos, curtos, clássicos, populares, e alguns tão novos que ainda aguardam publicação. E para ninguém ficar com água na boca, escolhemos três poemas da Rita para compartilhar. Eles podem ser encontrados no livro PORTAPALAVRAS, de Rita Melém, editora Cromos.

Joana Martins

Conto de Fada moderno

Me deixa mal
o tal de lobo mau
que me seduziu
e depois sumiu...













Transitório

Transito por todos os lugares
renovo meus ares
metamorfeio
me recoloco
invoco
revelo anseios
me mostro
me enrosco
nos teus meios...


Nostalgia

No jardim de inverno de mim
sentimentos e palavras fecundam
meu ser neblinado que
amanheceu triste...

p.s: E para completar esse maravilhoso dia cheio de sentimentos e poesia, tivemos a alegria de encontrarmos com a menina bonita do laço de fita passeando pela bosque, exibindo a sua beleza!





Roda de histórias na escola Ida de Oliveira

Mas um recorte de aventuras que não podemos deixar em nós, grupo. E que como numa revoada toma formas diversificadas, horas em quantidade grande, horas pequena, horas lideradas por um, horas por outro e assim vão enfrentando as dificuldades que lhes reserva a natureza. Assim somos também, guiados pelas asas de nossa imaginação seguindo o curso natural do existir onde também passamos por algumas dificuldades, mas não medimos esforços para continuar entremeando fio a fio à condução de nossa história que agora em duplas eu (Gilberto) e Sônia teceremos.
E foi num pouso na escola Ida Oliveira no dia 30 de setembro que enchendo seus corredores de alegria e sonoridade cantamos e encantamos com uma releitura da música :
“hoje tem espetáculo”
Oh raia o sol
Se esconde a lua
Tem contadores no meio da rua (bis)
Mamãe, Papai venha vê titia.
Contando histórias para vizinha.


Pousamos na escola que já contava sobre seus quarenta e cinco anos de história num alimentar de muitas outras histórias de pessoas que por ela passaram e hoje voam em outros grupos ou solitárias.
Foi uma tarde de encantamento, diante de uma colcha de retalhos que nutriu nossa imaginação, fomos costurando e apresentarmos ao deleite das crianças que estavam num numero estimado de 200, um repertório que passeou entre “A menina bonita do laço de fita” e “A cor é o que menos importa”.
E nesse universo fascinante de possibilidades que permiti da forma a nossa imaginação. Fomos transformando o ambiente, que foi tomando outro aspecto, ficando com ar mais noturno e sombrio, surge uma procissão que abriu espaço para as lendas e contos de assombração que deixam os olhos mais vidrados e arregalados de entusiasmo e curiosidade, num misto de medo e prazer percebido na aproximação das crianças para o local onde contávamos. Em tom de cumplicidade abrimos as asas da platéia, agora era chegado o momento de cada um contribuir com suas vivências, e a cada nova participação presenteava se a criança com poemas no coração. Virou festa e então cantando a mesma música do inicio fomos começando a desfazer o ambiente era chegada hora de nos “guardar” nos retalhos que montam a memória afetiva de cada um que encanta-se com a simplicidade das narrativas populares por nós aqui revistadas. Mas esse tecer aqui não se encerra deixamos no final do ponto, uma agulha no fio a espera das mãos que conduzirão o iniciar da costura dos próximos recortes que iram compor a continuidade dessa grande colcha onde habita nossa palavra.

Gilberto Silva